domingo, 27 de setembro de 2015

BIOGRAFIA DE CAROLINA MARIA DE JESUS

Carolina Maria de Jesus (Sacramento MG  1914 - São Paulo SP 1977).
 Autora de diários e romance e também poeta. De família pobre, composta por mais sete irmãos, trabalha desde a infância. Sua escolaridade se resume aos dois anos que frequenta o Colégio Allan Kardec, provavelmente em 1923 e 1924. Neste ano, muda-se com a família para uma fazenda em Lageado, Minas Gerais, onde trabalham como lavradores. Retorna a Sacramento, em 1927, e, por causa das dificuldades econômicas, migra para Franca, São Paulo, em 1930, passando o primeiro ano na fazenda Santa Cruz e, depois, na cidade, onde trabalha como ajudante na Santa Casa de Franca, auxiliar de cozinha e doméstica. Com a morte da mãe em 1937, vai para São Paulo em busca de melhores condições de vida. De 1948 a 1961, reside na favela Canindé, sobrevivendo como catadora de papel e ferro velho. Em 1958, o jornalista Audálio Dantas, numa reportagem sobre a inauguração de um playground no Canindé, conhece Carolina e se interessa pelos seus 35 cadernos de anotações em forma de diário, e publica um artigo na Folha da Noite. Em 1959, trabalhando na revista O Cruzeiro, o jornalista divulga trechos dos relatos escritos pela autora e, posteriormente, empenha-se na publicação que reúne esses relatos, Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, lançado em 1960, com notável sucesso editorial. Carolina muda-se para uma casa que consegue comprar no bairro de Santana e mantém o diário com registros do que lhe acontece ali, depois editados em Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada, em 1961. Em 1963, publica Pedaços da Fome, seu único romance, que tem pouca repercussão. Em função dos contínuos desentendimentos com seus editores, bem como das dificuldades enfrentadas para manter-se em evidência e adaptar-se à vida no bairro de classe média, muda-se para um sítio no bairro de Parelheiros, São Paulo, em 1969, onde é praticamente esquecida pelo mercado editorial, apesar de algumas tentativas de voltar à cena literária. Após sua morte, são editadas obras escritas entre 1963 a 1977, das quais a mais significativa é Diário de Bitita, com suas memórias de infância e juventude, inicialmente lançado na França.

BIOGRAFIA DE PAULO FREIRE

Nasceu em Recife em 1921 e faleceu em 1997. É considerado um dos grandes pedagogos da atualidade e respeitado mundialmente. Em uma pesquisa no Altavista encontramos um número maior de textos escritos em outras línguas sobre ele, do que em nossa própria língua.
Embora suas idéias e práticas tenham sido objeto das mais diversas críticas, é inegável a sua grande contribuição em favor da educação popular.
Publicou várias obras que foram traduzidas e comentadas em vários países.
Suas primeiras experiências educacionais foram realizadas em 1962 em Angicos, no Rio Grande do Norte, onde 300 trabalhadores rurais se alfabetizaram em 45 dias.
Participou ativamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife.
Suas atividades são interrompidas com o golpe militar de 1964, que determinou sua prisão. Exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. Com sua participação, o Chile, recebe uma distinção da UNESCO, por ser um dos países que mais contribuíram à época, para a superação do analfabetismo.
Em 1970, junto a outros brasileiros exilados, em Genebra, Suíça, cria o IDAC (Instituto de Ação Cultural), que assessora diversos movimentos populares, em vários locais do mundo. Retornando do exílio, Paulo Freire continua com suas atividades de escritor e debatedor, assume cargos em universidades e ocupa, ainda, o cargo de Secretario Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo, na gestão da Prefeita Luiza Erundina, do PT.

Algumas de suas principais obras: Educação como Prática de Liberdade, Pedagogia do Oprimido, Cartas à Guiné Bissau, Vivendo e Aprendendo, A importância do ato de ler.

BIOGRAFIA DE RITA RIBEIRO

Rita Ribeiro nasceu no Maranhão e, depois de morar em São Luis, onde iniciou sua carreira de cantora, começou a despontar como grande revelação da música brasileira em 1996.
Em 1997, já morando em São Paulo, gravou seu primeiro CD intitulado "Rita Ribeiro", com produção de Mario Manga e Zeca Baleiro. O CD e o show Rita Ribeiro, após apresentação em várias capitais brasileiras, deram projeção nacional à cantora maranhense.
Em 1998, assinou contrato com a MZA Music, gravadora do produtor Marco Mazzola, e ainda sob a batuta do maestro Mário Manga, lançou em 1999 seu segundo CD, "Pérolas aos Povos", que recebeu excepcional acolhida de público e crítica. Neste mesmo ano, ao lado de Ney Matogrosso, Milton Nascimento, Zeca Baleiro e Chico César, apresentou-se na noite brasileira do "Festival de Jazz de Montreux", na Suíça, e foi convidada para se apresentar no "Festival Brasil-Caracas"na Venezuela, alcançando grande dimensão internacional em sua trajetória musical.
Em 2000, dando continuidade ao lançamento e divulgação do CD "Pérolas aos Povos", Rita Ribeiro foi convidada a participar do Festival "Todos os Cantos do Mundo", dividindo o palco com Lokua Kanza, considerado um dos grandes expoentes da música Pop africana, e ainda nesse ano, teve seu Cd lançado nos Estados Unidos e Canadá pela gravadora Putumayo World Music, o que resultou na realização de uma turnê de agosto a setembro de 2000, nas principais cidades americanas e canadenses, entre elas São Francisco, Los Angeles, Toronto e Montreal, para plateias de 15mil pessoas.

O resultado desse empreendimento levou Rita Ribeiro a ser indicada entre os melhores do mundo ao Grammy Awards 43rd, na categoria de melhor álbum de pop latino, realizado em fevereiro de 2001.

BIOGRAFIA Mc Gui

MC Gui, ou Guilherme Kauê Castanheiras Alves, nasceu no dia 19 de maio de 1998, na cidade do Rio de Janeiro/Brasil e se mudou para a Zona Leste de São Paulo, onde vive atualmente com sua mãe, seu pai e seus irmãos mais velhos. MC Gui é um cantor e compositor de funk ostentação.

Apesar da fama que conquistou, sua carreira no funk teve um início despretensioso, incentivada por seu pai. Na época, com apenas 10 anos, Gui e um de seus irmãos brincavam de compor letras de funk e cantar suas músicas. A dedicação dos dois chamou a atenção do pai deles, que decidiu ajudar a lançar algumas das músicas do MC Gui. Seu primeiro sucesso veio com a música 'Ela Quer', o que o deu ânimo para continuar cantando. Logo, MC Gui já fazia dezenas de shows por mês e começava a ganhar seu espaço na cena do funk de São Paulo.



A fama estourou quando MC Gui lançou o hit 'O Bonde Passou', em 2013, ultrapassando a marca de 40 milhões de visualizações no Youtube. No ano seguinte, 2014, outras músicas do MC Gui fizeram sucesso. Uma delas, 'Beija Ou Não Beija?' contou com a participação do cantor Latino no clipe oficial. A outra foi 'Ostentar Esperança (Sonhar)', que foi escrita em homenagem a seu irmão Gustavo Castanheira, que faleceu no dia 21 de abril de 2014, vítima de uma parada cardíaca.

CANTOS DE TRABALHO E A CULTURA NACIONAL

Prática antiga da população brasileira, os Cantos de Trabalho são um interessante tema para o professor abordar aspectos musicais de diversas formas de trabalho.

Os Cantos de Trabalho são uma prática antiga e tradicional da história brasileira, principalmente no espaço rural. Oriundos de tradições musicais indígenas mescladas com as influências europeias e africanas, os cantos de trabalho marcavam os ritmos de trabalho, unificando ainda o trabalho coletivo e contribuindo para que se diminuísse a extenuação decorrente das longas jornadas de trabalho.
O trabalho com esse tipo de canto, característico do folclore e da cultura brasileira, é uma interessante atividade para se realizar com os alunos em sala de aula, principalmente por mostrar uma diferença em relação à vida do trabalhador no mundo capitalista atual. Essa diferença configura-se tanto no ambiente rural quanto no ambiente urbano, pois a industrialização dos processos de trabalho vem se intensificando nos dois espaços. A abordagem pode ser realizada de forma multidisciplinar, entre os professores de histórias e os de arte.
Os cantos de trabalho demonstram ainda uma solidariedade existente entre os trabalhadores, principalmente nos trabalhos realizados em regime de mutirão, em que um grupo de trabalhadores unia-se para poder realizar alguma tarefa que fosse muito cansativa e difícil para uma única pessoa. A análise desses cantos permite a visualização das diferenças de linguagem existentes, as práticas culturais de cada grupo de trabalhadores e também as situações cotidianas que eram vivenciadas, como as relações amorosas.
No século XX existiram algumas tentativas de registro dessas manifestações. Um caso célebre foi o de Mário de Andrade, que percorreu diversas regiões do Brasil na década de 1920. Neste texto, serão oferecidos outros exemplos de registro material dos cantos de trabalho.
Em 1955, o cineasta Humberto Mauro filmou o documentário Brasilianas: Cantos de Trabalho, em que foram apresentados alguns desses cantos. Alguns deles mostravam a prática de socar o pilão como um trabalho feito por uma pessoa para alimentar várias outras, bem como, por exemplo, o trabalho de socar a terra para a construção de açudes, em que o ritmo da batida do socador na terra acompanhava a melodia entoada pelos homens.
Outro canto foi o relacionado com o trabalho em pedreiras, em que homens laboravam para quebrar, cortar e carregar grandes rochas. A letra do canto evidenciava um trabalho em conjunto, mostrando uma tentativa de tornar a tarefa menos pesada para os trabalhadores.
A cantora Clementina de Jesus gravou em 1976 a faixa Cinco cantos de Trabalho, em que foram apresentadas músicas criadas por Milton Nascimento, Fernando Brant e Cartola, além de algumas decorrentes de arranjos feitos a partir de músicas do folclore brasileiro.
Outro cineasta que registrou em documentários essa prática de trabalho foi Leon Hirszman. Com Cantos de Trabalho – Cana-de-Açúcar e Cantos de Trabalho – Mutirão, foi possível retratar práticas de trabalho ancestrais realizadas no Brasil, que, com o avanço do sistema capitalista, foram se perdendo.
Mais recentemente a Cia. Cabelo de Maria produziu um álbum denominado Cantos de Trabalho. Após pesquisas realizadas pela musicista Renata Mattar, foram registrados cantos oriundos de diversas partes do Brasil e ligados a algumas atividades, como o trabalho das destaladeiras de fumo de Arapiraca (AL), das descascadeiras de mandioca de Porto Real do Colégio (AL), das plantadeiras de arroz de Propriá (SE) e da farinhada da comunidade de Barrocas (BA). Com esse trabalho, foi possível registrar uma prática cultural que é passada de geração a geração de forma oral.
A avaliação a ser realizada pelos professores pode ser feita pedindo que os alunos apresentem suas impressões e as diferenças que são verificadas ao escutar as músicas e ao assistir aos vídeos, no sentido dos temas que são tratados, dos tipos de trabalho, as diferenças de linguagem, as roupas usadas e os locais em que são ambientados.
Por Tales Pinto - Mestre em História


Acesso em 07/09/15

Cia CABELO DE MARIA CANTO DE TRABALHO

GESTÃO DEMOCRÁTICA E CULTURAS

Há mulheres - Rita Ribeiro

Há mulheres que se pintam de caulim
Na costa do marfim
Para o deus louvar
Eu também me pinto para o luar, em mim,
A prata derramar
Oh! Musa da inspiração!
Oh! Musa da inspiração!
Oh! Musa da inspiração!
Caia sobre mim este céu sem fim

PEDAGOGIA DA AUTONOMIA

Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire
Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural
“A questão da identidade cultural  de que fazem parte  a dimensão individual  e  a de  classe dos educandos cujo respeito é absolutamente fundamental na prática educativa progressista, é problema que não pode ser desprezado”


Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire
Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural
“A experiência histórica , política e cultura  e social dos homens  e das mulheres jamais pode se dar virgem  do conflito entre as forças que obstaculizam  a busca da assunção de si por parte dos indivíduos e dos grupos e das foças que trabalham  em favor daquela assunção.“


Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire
Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural
“A solidariedade social e política  de que precisamos  para construir a sociedade menos feia  e menos arestosa, em que podemos ser mais nós mesmos, tem na formação democrática uma prática de real importância.”


Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire
Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural
“À vezes, mal se imagina o que pode passar a representar na vida de um aluno um simples gesto do professor. O que pode um gesto aparentemente insignificante valer como  força formadora ou  como contribuição à assunção do educando por si mesmo”


Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire
Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural
“Este saber, o da importância dos gestos, que se multiplicam  diariamente nas tramas do espaço escolar, é algo sobre o que teríamos de refletir seriamente. È uma pena que o caráter socializante da escola, o que há de informal na experiência  que se vive nela , de formação ou deformação, seja negligenciado.”


Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire
Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural
“Nenhuma formação docente verdadeira pode fazer-se alheada, de um lado, do exercício da criticidade que implica a promoção da curiosidade ingênua à curiosidade epistemológica, do outro sem o reconhecimento do valor das emoções, da sensibilidade, da afetividade da intuição ou adivinhação”


Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire
Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural

Não é possível também formação docente indiferente à boniteza e à decência que estar no mundo, com o mundo e com os outros substantivamente exige de nós”

QUARTO DE DESPEJO

Quarto de despejo – diário de uma favelada
Carolina Maria de Jesus

22 de julho de 1955
Eu sou muito alegre. Todas as manhãs eu canto. Sou como as aves, que cantam apenas ao amanhecer. De manhã eu estou sempre alegre. A primeira coisa que faço é abrir a janela e contemplar o espaço.


Quarto de despejo – diário de uma favelada
Carolina Maria de Jesus

22 de julho de 1955
... Eu gosto de ficar dentro de casa, com as portas fechadas. Não gosto de ficar nas esquinas conversando. Gosto de ficar sozinha e lendo. Ou escrevendo! Virei na rua Frei Antonio Galvão. Quase não tinha papel.(...) Enchi dois sacos na rua Alfredo Maia. Levei um até ao ponto e depois voltei para levar outro. Percorri outras ruas. Conversei um pouco com o senhor João Pedro. Fui na casa de uma preta levar umas latas que ela tinha pedido. Latas grandes para plantar flores. Fiquei conhecendo uma pretinha muito limpinha que falava muito bem. Disse ser costureira, mas não gostava da profissão. E que admirava-me. Catar papel e cantar.


Quarto de despejo – diário de uma favelada
Carolina Maria de Jesus

7 de junho de 1958
Os meninos tomaram café e foram a aula. Eles estão alegres porque hoje teve café. Só quem passa fome é que dá valor a comida.
Eu e Vera fomos catar papel. Passei no Frigorifico para pegar lingüiça. Contei 9 mulheres na fila. Eu tenho mania de observar tudo, contar tudo, marcar os fatos.
Encontrei muito papel nas ruas. Ganhei 20 cruzeiros. Fui no bar tomar uma média. Uma para mim e outra para a Vera. Gastei 11 cruzeiros. Fiquei catando papel até as 11 e meia. Ganhei 50 cruzeiros.
... Quando eu era menina o meu sonho era ser homem para defender o Brasil porque eu lia a Historia do Brasil e ficava sabendo que existia guerra. Só lia os nomes masculinos como defensor da patria.


Quarto de despejo – diário de uma favelada
Carolina Maria de Jesus

7 de junho de 1958
Quando o arco-iris surgia eu ia correndo na sua direção. Mas o arco-íris estava sempre distanciando. Igual os politicos distantes do povo. Eu cançava e sentava. Depois começava a chorar. Mas o povo não deve cançar. Não deve chorar. Deve lutar para melhorar o Brasil para os nossos filhos não sofrer o que estamos sofrendo. Eu voltava e dizia para a mamãe:
- O arco-iris foge de mim.
... Nós somos pobres, viemos para as margens do rio. As margens do rio são os lugares do lixo e dos marginais. Gente da favela é considerado marginais. Não mais se vê os corvos voando as margens do rio, perto dos lixos. Os homens desempregados substituíram os corvos. (...)


Quarto de despejo – diário de uma favelada
Carolina Maria de Jesus

9 de junho de 1958
... Eu já estava deitada quando ouvi as vozes das crianças anunciando que estavam passando cinema na rua. Não acreditei no que ouvia. Resolvi ir ver. Era a Secretaria da Saúde. Veio passar um filme para os favelados ver como é que o caramujo transmite a doença anêmica. Para não usar as aguas do rio. Que as larvas desenvolve-se nas aguas(...) Até a agua... que em vez de nos auxiliar, nos contamina. Nem o ar que respiramos, não é puro, porque jogam lixo aqui na favela.
Mandaram os favelados fazer mictórios.


Quarto de despejo – diário de uma favelada
Carolina Maria de Jesus

11 de junho de 1958
... Já faz seis meses que eu não pago a agua. 25 cruzeiros por mês. E por falar na agua, o que eu não gosto e tenho pavor é de ir buscar agua. Quando as mulheres aglomeram na torneira, enquanto esperam a sua vez para encher a lata vai falando de tudo e de todos. (...) Fiz o café e fui carregar agua. Olhei o céu, a estrela Dalva já estava no céu. Como é horrível pisar na lama. As horas que sou feliz é quando estou residindo nos castelos imaginários (...).


Quarto de despejo – diário de uma favelada
Carolina Maria de Jesus

Sobre a sua obra, afirma Carolina:
Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados.

Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o meu sonho era escrever e o pobre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade.

ROTEIRO GESTÃO E CULTURAS

Sonhar

Sonhar  (Mc Gui)

Não nasci na rua
Mas me joguei nela
Sou mero aprendiz
Na vida de favela
Tenho certeza
Que a fé nunca morre
E a vida real não parece novela

Se hoje eu tenho quero dividir
Ostentar pra esperança levar
Pras crianças nunca desistir
Um sonho que leve a gente acreditar
(Mc Gui)

Peço pra Deus o caminho iluminar
Que a luta que eu trago não me traga dor
Eu faço o possível pra gente ganhar
A guerra de miséria que a gente criou
(Mc Gui)

Cê tá ligado, o quanto é difícil
Quado lá em cima querem derrubar
Mas quando embaixo se pede ajuda
Ninguém da a mão se é pra te levantar
(Mc Gui)

 Sonhar, nunca desistir
Ter fé, pois fácil não é e nem vai ser
Tentar até se esgotar suas forças
Se hoje eu tenho quero dividir
Ostentar pra esperança levar
(Mc Gui)

Criança quer ser jogador pra dar pra
Família um futuro melhor
Acende essa luz ai no fim do túnel
Que é pra esse menor no futuro enxergar
(Mc Gui)

Se hoje eu tenho quero dividir
Ostentar pra esperança levar
Pras crianças nunca desistir
Um sonho que leve a gente acreditar
(Mc Gui)

Acredito e tenho o pé no chão vou fazer
Um som me jogar no mundão
Quero ser do bem não importa o estilo
Com tanto que tenha tudo que eu preciso

Minha família tá sempre aumentando, meus amigos
Só vem pra somar, quando eu sinto
Que tá me atrasando já chuto pra longe
Pra não mais voltar

Sonhar, nunca desistir
Ter fé, pois fácil não é e nem vai ser
Tentar até se esgotar suas forças
Se hoje eu tenho quero dividir
Ostentar pra esperança levar

Sonhar, nunca desistir
Ter fé, pois fácil não é e nem vai ser
Tentar até se esgotar suas forças
Se hoje eu tenho quero dividir
Ostentar pra esperança levar e o mundo sorrir

Vídeos usados no Curso sobre Avaliação

Programa: Se ela dança eu danço - John Lennon




Arnaldo Antunes - Seu olhar


AVALIAÇÃO PARA APRENDIZAGEM

BIBLIOGRAFIA AVALIAÇÃO

LUCKESI, Cipriano. C. Sobre notas escolares distorções e possibilidades, São Paulo, Cortez,2014
___________ Avaliação da aprendizagem escolar: estudo se proposições, São Paulo, Cortez,2014
___________ Educação, Avaliação Qualitativa e Avaliação II. Disponível em http://www.publicacoes.inep.gov.br/portal/download/752
Freitas, Luiz. C. Ciclos Seriação e avaliação. São Paulo, Moderna, 2003


SOUSA Sandra M. Zákia L. Avaliação da aprendizagem na legislação nacional: dos anos 1930 aos dias atuais. Disponível em:  http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/eae/arquivos/1536/1536.pdf

Avaliação - Situações-problema

DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES A CAMINHO DA AUTORIA
Tema: Avaliação e Ciclos de Aprendizagem
Caro prof(a) ao final da atividade, devolva ao formador(a)                                                     
Situação 1
Na EMEF Catulo da Paixão Cearense o grupo de professores está muito preocupado com a evolução do aluno Lucas e no horário coletivo compartilhou com a coordenadora Marina suas reflexões.
O Lucas cursa o 7º ano, está na recuperação paralela de Matemática e de Português, mas avança muito pouco na construção de conhecimento em quase todas as áreas. O terceiro bimestre está começando e o grupo teme não fazê-lo progredir, o que é preocupante, pois já foi retido no ano anterior. Em alguns momentos e em algumas disciplinas chega a realizar as atividades com autonomia.
Após análise do caso que ações podem ser propostas para ajudar o aluno na construção do conhecimento e como deverá ser feita a avaliação deste educando?
Situação 2
 Ao final do ano letivo, a avaliação dos professores da EMEF Patativa do Assaré constatou que Fabiana, aluna de 9º ano,  apresentou aprendizagem  satisfatória apenas em Educação Física e Artes e participava ativamente do projeto de circo desenvolvido na escola, era a melhor aluna. Tinha também um grande desempenho ao demonstrar conhecimentos usando a oralidade. 
Houve um intenso debate no conselho sobre a possível reprovação da aluna.
Na situação hipotética de este grupo fazer parte do conselho de classe, como decidiria? 
Situação 3
A seguir apresentam-se as notas em dois componentes curriculares de dois estudantes do 5º ano da EMEF Adélia Prado.


Considerando que este tipo de situação é comum, pautando o debate a partir do pressuposto da qualidade e não da quantidade de aprendizagem e a organização da escola em ciclos reflita:
a - Como garantir a aprendizagem dos conteúdos necessários em cada componente curricular?
b – Como vincular a aprendizagem à qualidade e não apenas à obtenção de média para aprovação?
Situação 4
A equipe da EMEF Darcy Ribeiro iniciou o ano letivo revisitando o Projeto Político-Pedagógico e após a análise do documento percebeu a necessidade de elaborar um processo de avaliação da e para a aprendizagem coerente e consistente anual e para cada ciclo.

Que sugestões esse grupo daria para atender essa necessidade?

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

AVALIAÇÃO DO CURSO

AVALIAÇÃO DO CURSO DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES

A CAMINHO DA AUTORIA – 2015 - TEMA: AVALIAÇÃO





segunda-feira, 14 de setembro de 2015

"Grupo Educadores de São Mateus" - Curso Preparatório Prefeitura de São Paulo

 "Grupo Educadores de São Mateus" - Curso Preparatório Prefeitura de São Paulo
  27 de setembro das 08h às 12h.

Diálogos interdisciplinares a caminho da autoria

DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES A CAMINHO DA AUTORIA

Entre os livros e as estrelas

          Nasci na periferia de uma grande metrópole, filho de pais trabalhadores, tive uma vida muito intensa, cresci brincando na rua, sonhava estudar as estrelas... o céu me intrigava, milhares e milhares de estrelas brilhando... o sol, a órbita dos planetas, tudo funcionando sem a intervenção de um humano.
Frequentei a escola pública, lá tive muitos professores que marcaram minha vida, tanto pelo amor, quanto pela dor. Concluí os estudos, fui crescendo e, como todo adulto, pelas dificuldades da vida, os sonhos foram substituídos pela razão. Decidi ter uma carreira sólida, após a faculdade, batalhei o concurso público e me efetivei como professor.
            Iniciei o ofício em uma escola da periferia. Tudo estava exatamente como antes, como quando passei pelas mesmas carteiras escolares, porém, eu tinha grandes sonhos e vontade de mudar o mundo...
Muitos educandos eram incríveis, outros, nem tanto. Todos com suas características peculiares, uns filhos de pedreiros, outros de trabalhadores do comércio e indústrias, de domésticas, de pintores, de carpinteiros, de donos de pequenas mercearias, outros órfãos, filhos de detentos, havia uma imensa diversidade... Eu, iniciante na carreira, cheio de expectativas e vontade de transformar, percebia grandes possibilidades de mudanças e de conseguir qualificar a realidade.
          O tempo passou... a REALIDADE apresentou-se  mais imperiosa do que meus sonhos de início de carreira... Fui ficando rancoroso, com as mazelas do cotidiano de professor.  Crescia indomável a vontade de voltar a sonhar, na verdade, eu queria sumir do planeta. Voltei para casa, decidido a mudar de profissão, a mudar a minha vida, a resgatar o prazer de contemplar estrelas, como em minhas lembranças de criança.
         Após uma noite de sono, tudo planejado! Já na escola, em minha última aula, promessa feita para meus alunos:
        — Vou atrás dos meus sonhos, não voltarei para a escola nunca mais. Enfim, liberto e libertação!
Executando o planejado, aluguei um barco e, com pouca bagagem, iniciei minha jornada.
No meio do percurso, ouço vozes vindas da direção do dormitório do barco, ressabiado, mas, ciente da necessidade, fui verificar.  Ao abrir a porta do dormitório, um susto! Na verdade, um pesadelo!!! Um grupo de alunos amotinados lá! Olhos vibrando de empolgação, diante de uma SUPER AVENTURA!
           Desesperado, perguntei o que faziam ali, e um, mais articulado, respondeu que se interessaram também pela história de aprender a contemplar as estrelas e resolveram me acompanhar. Ainda atordoado, sem ter muito o que fazer, indignado, disse que levaria todos para o continente e que a brincadeira acabaria ali.
           Na volta, teve inicio uma tempestade muito forte, ocorreu um acidente que danificou o manche do barco. Ficamos à deriva, flutuando de um lado para o outro. Fomos conduzidos pelos fortes ventos, para uma região de muitas pedras que estragaram também o casco do barco. Por sorte, estávamos já próximos à praia. Conseguimos correr e nos abrigar na mata que ali existia, todos em segurança.
         Após uma noite de pouco sono, acordamos e percebemos que estávamos em uma ilha deserta, sem comunicação e, do barco, só restavam destroços, algumas caixas de alimentos e uma mala com objetos para urgência, sobrevivência e primeiros socorros.

Autoria: CP Marcelo Alexandre Merce – EMEF Carlos Correia Mascaro

PAULO FREIRE COMO SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO

O que são as disciplinas escolares?

Tecendo a Manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã.
ele precisará sempre de outros galos
.

De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos
.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação
.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão
.
João Cabral de Melo Neto (1920 – 1999)


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Formato e Percurso Histórico

Não nascemos prontos!

O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: “o animal satisfeito dorme”. Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais fundos alerta contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação. A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece. Por isso, quando alguém diz “fiquei muito satisfeito com você”, ou “estou muito satisfeita com teu trabalho”, é assustador. O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim mais nada além se pode esperar? Que est bom como está? Assim seria apavorante; passaria a ideia de que desse jeito já basta. Ora, o agradável é quando alguém diz: “teu trabalho (ou carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou música etc.) é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas”. Um bom filme não é exatamente aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto passamos letreiros, desejando que não cesse? Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos um pouco apoiado no colo, absortos e distantes, pensando que não poderia terminar? Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue? Com a vida de cada um e de cada uma também tem de ser assim; afinal de contas, não nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento. Quando crianças (só as crianças?), muitas vezes, diante da tensão provocada por algum desafio que exigia esforço (estudar, treinar, emagrecer etc.) ficávamos preocupados e irritados, sonhando e pensando: Por que a gente já não nasce pronto, sabendo todas as coisas? Bela e ingênua perspectiva. É fundamental não nascermos sabendo e nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição; todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer só para si próprio. Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar. Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na ideia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando... Isso não ocorre com gente, e sim com fogão, sapato, geladeira. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não pronta, e vai se fazendo. Eu, no ano que estamos, sou a minha mais nova edição (revista e, às vezes, um pouco ampliada); o mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado e não no presente. Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou o mesmo Guimarães, “não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro”... Mário Sérgio Cortella

Teorias do Currículo