Carolina Maria de Jesus (Sacramento MG 1914 - São Paulo SP 1977).
Autora de
diários e romance e também poeta. De família pobre, composta por mais sete
irmãos, trabalha desde a infância. Sua escolaridade se resume aos dois anos que
frequenta o Colégio Allan Kardec, provavelmente em 1923 e 1924. Neste ano, muda-se com a família para uma fazenda em Lageado, Minas
Gerais, onde trabalham como lavradores. Retorna a Sacramento, em 1927, e, por
causa das dificuldades econômicas, migra para Franca, São Paulo, em 1930,
passando o primeiro ano na fazenda Santa Cruz e, depois, na cidade, onde
trabalha como ajudante na Santa Casa de Franca, auxiliar de cozinha e
doméstica. Com a morte da mãe em 1937, vai para São Paulo em busca de melhores
condições de vida. De 1948 a 1961, reside na favela Canindé, sobrevivendo como
catadora de papel e ferro velho. Em 1958, o jornalista Audálio Dantas, numa
reportagem sobre a inauguração de um playground no Canindé, conhece Carolina e
se interessa pelos seus 35 cadernos de anotações em forma de diário, e publica
um artigo na Folha da Noite. Em 1959, trabalhando na revista O Cruzeiro, o
jornalista divulga trechos dos relatos escritos pela autora e, posteriormente,
empenha-se na publicação que reúne esses relatos, Quarto de Despejo: Diário de
uma Favelada, lançado em 1960, com notável sucesso editorial. Carolina muda-se
para uma casa que consegue comprar no bairro de Santana e mantém o diário com
registros do que lhe acontece ali, depois editados em Casa de Alvenaria: Diário
de uma Ex-favelada, em 1961. Em 1963, publica Pedaços da Fome, seu único
romance, que tem pouca repercussão. Em função dos contínuos desentendimentos
com seus editores, bem como das dificuldades enfrentadas para manter-se em
evidência e adaptar-se à vida no bairro de classe média, muda-se para um sítio
no bairro de Parelheiros, São Paulo, em 1969, onde é praticamente esquecida
pelo mercado editorial, apesar de algumas tentativas de voltar à cena
literária. Após sua morte, são editadas obras escritas entre 1963 a 1977, das
quais a mais significativa é Diário de Bitita, com suas memórias de infância e
juventude, inicialmente lançado na França.



