27 de setembro das 08h às 12h.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Entre os livros e as estrelas
Nasci
na periferia de uma grande metrópole, filho de pais trabalhadores, tive uma
vida muito intensa, cresci brincando na rua, sonhava estudar as estrelas... o
céu me intrigava, milhares e milhares de estrelas brilhando... o sol, a órbita
dos planetas, tudo funcionando sem a intervenção de um humano.
Frequentei
a escola pública, lá tive muitos professores que marcaram minha vida, tanto
pelo amor, quanto pela dor. Concluí os estudos, fui crescendo e, como todo adulto,
pelas dificuldades da vida, os sonhos foram substituídos pela razão. Decidi ter
uma carreira sólida, após a faculdade, batalhei o concurso público e me
efetivei como professor.
Iniciei o ofício em uma escola da periferia. Tudo
estava exatamente como antes, como quando passei pelas mesmas carteiras
escolares, porém, eu tinha grandes sonhos e vontade de mudar o mundo...
Muitos
educandos eram incríveis, outros, nem tanto. Todos com suas características
peculiares, uns filhos de pedreiros, outros de trabalhadores do comércio e
indústrias, de domésticas, de pintores, de carpinteiros, de donos de pequenas
mercearias, outros órfãos, filhos de detentos, havia uma imensa diversidade... Eu,
iniciante na carreira, cheio de expectativas e vontade de transformar, percebia
grandes possibilidades de mudanças e de conseguir qualificar a realidade.
O tempo passou... a REALIDADE
apresentou-se mais imperiosa do que meus
sonhos de início de carreira... Fui ficando rancoroso, com as mazelas do
cotidiano de professor. Crescia indomável
a vontade de voltar a sonhar, na verdade, eu queria sumir do planeta. Voltei
para casa, decidido a mudar de profissão, a mudar a minha vida, a resgatar o prazer
de contemplar estrelas, como em minhas lembranças de criança.
Após uma noite de sono, tudo
planejado! Já na escola, em minha última aula, promessa feita para meus alunos:
— Vou atrás dos meus sonhos, não voltarei
para a escola nunca mais. Enfim, liberto e libertação!
Executando
o planejado, aluguei um barco e, com pouca bagagem, iniciei minha jornada.
No
meio do percurso, ouço vozes vindas da direção do dormitório do barco, ressabiado,
mas, ciente da necessidade, fui verificar.
Ao abrir a porta do dormitório, um susto! Na verdade, um pesadelo!!! Um
grupo de alunos amotinados lá! Olhos vibrando de empolgação, diante de uma
SUPER AVENTURA!
Desesperado, perguntei o que faziam
ali, e um, mais articulado, respondeu que se interessaram também pela história
de aprender a contemplar as estrelas e resolveram me acompanhar. Ainda atordoado,
sem ter muito o que fazer, indignado, disse que levaria todos para o continente
e que a brincadeira acabaria ali.
Na volta, teve inicio uma tempestade
muito forte, ocorreu um acidente que danificou o manche do barco. Ficamos à
deriva, flutuando de um lado para o outro. Fomos conduzidos pelos fortes
ventos, para uma região de muitas pedras que estragaram também o casco do barco.
Por sorte, estávamos já próximos à praia. Conseguimos correr e nos abrigar na
mata que ali existia, todos em segurança.
Após uma noite de pouco sono,
acordamos e percebemos que estávamos em uma ilha deserta, sem comunicação e, do
barco, só restavam destroços, algumas caixas de alimentos e uma mala com
objetos para urgência, sobrevivência e primeiros socorros.
Autoria: CP Marcelo Alexandre Merce – EMEF Carlos
Correia Mascaro
Tecendo a Manhã
Um galo sozinho não tece uma
manhã.
ele precisará sempre de outros galos.
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre
todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
João
Cabral de Melo Neto (1920 – 1999)
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